• Dr. Artur Vasconcelos

A CULTURA DA CASTRAÇÃOE SEUS QUATRO PERSONAGENS





O TUTOR INCOMODADO


Levou para casa um animal, e esqueceu que ele apresenta comportamentos e eventos fisiológicos que são naturais à sua espécie. Na primeiro cio ou “levantada de perna” foi lembrado disso: não era um ser assexuado! E resolveu buscar o caminho mais fácil.


O que ele não sabe é que o maior desafio comportamental nos cães atualmente é a ansiedade. E que a castração geralmente é associada à piora desse problema, por reduzir a circulação de hormônios importantes para a estabilidade emocional do animal.



O PROTETOR BEM-INTENCIONADO


Não há como não se sensibilizar com a cena de uma cadela lactante, parida na rua. É inegável que a castração pode mudar a vida de um animal negligenciado e de um tutor com baixa renda e instrução.


No entanto, o protetor acredita que vai mudar a realidade de uma cidade ou país dessa maneira. Infelizmente, a taxa de reposição animal (óbito seguido de nova aquisição ou tomada de território) é tão alta, que o enorme número de animais que precisariam ser castrados, e de forma contínua, torna os programas de castração realmente efetivos ferramentas onerosas e pouco práticas.


O POLÍTICO POPULISTA


O governante geralmente é limitado tecnicamente sobre o assunto, ou mesmo mal-assessorado. Mas não é bobo. Ele sabe que facilitar o acesso à castração é extremamente simpático à população. É praticamente um “voto de cabresto”.


Seria ótimo que mais políticos realmente priorizassem a causa animal. O bem-estar coletivo está diretamente relacionado ao controle populacional de cães e gatos nas ruas, e das zoonoses que transmitem. Mas o que realmente faz diferença é o compromisso com as campanhas educativas e aplicação rigorosas das leis de proteção, já existentes.


O VETERINÁRIO MAL-INSTRUÍDO


Os benefícios ele sabe, na ponta da língua: fêmeas sem útero não vão ter piometra e, quando castrados, nenhum animal procria. Ora pois!


Mas na faculdade pouco se discute sobre o que essa intervenção pode trazer de negativo à saúde dos cães. Obesidade, problemas ortopédicos, incontinência em fêmeas e vários tipos de tumores. Problemas cada vez mais comuns na minha rotina. Já existem evidências suficientes para, pelo menos, pensar duas vezes antes de indicar o procedimento, avaliando o contexto de cada paciente.


MÚLTIPLAS OPINIÕES


Antes de "atirar pedras", saiba que não sou contrário à castração. Mas acredito na maior exposição dos pontos negativos e positivos, individualizando sua indicação, seja para o paciente no consultório, seja para populações em contextos específicos.


Prevendo uma diversidade de opiniões sobre o tema, convido a uma discussão respeitosa. No entanto, comentários deselegantes serão prontamente deletados e os perfis, bloqueados, sem exceções.


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