• Dr. Artur Vasconcelos

OS ERROS MAIS COMUNS - na imunização dos cães


COMEÇAR CEDO DEMAIS

Com frequência recebo cães que chegam na casa dos novos donos muito antes de dois meses de vida, geralmente com uma dose da vacina múltipla já aplicada. Levar um cão de forma precoce para casa pode privá-lo de um momento valioso com a mãe e irmãos, importante para o seu desenvolvimento físico, emocional e cognitivo.

Além disso, filhotes muito jovens são mais vulneráveis a reações adversas à vacina. E quando nascidos de cadelas vacinadas, possuem ainda grande massa de anticorpos maternos, o que interfere na eficácia dessa primeira dose, que geralmente é inútil para protegê-lo.

TERMINAR A PRIMOVACINAÇÃO ANTES DOS 4 MESES

Filhotes não necessariamente precisam de “3 doses” da vacina múltipla. Eles devem ser vacinados, preferencialmente após dois meses de vida, a cada 3-4 semanas, até os 4 meses, quando se assume que a massa de anticorpos maternos já caiu. Podem ser 3, 5 ou mesmo apenas uma única vacina (no caso de serem apresentados com 4 meses). Isso é essencial para reduzir a janela de vulnerabilidade a viroses importantes.

Muitos veterinários encerram a primovacinação com a terceira dose, o que algumas vezes acontece ao redor dos 3 meses, quando aplicadas a cada 3 semanas. Isso aumenta a chance de falha vacinal.

NÃO FAZER A SOROLOGIA

Exames sorológicos, ou dosagem de anticorpos IgG contra cinomose, parvovirose e adenovirose, são ferramentas essenciais para se evitar a aplicação de vacinas sem necessidade. Cães que apresentam esse exame positivo (em qualquer escore), potencialmente tem imunidade contra essas viroses por toda a vida.

Outro benefício é que esse exame identifica uma minoria de animais que não é responsiva à vacinação. Sem realizá-lo, nunca se sabe se um indivíduo teve ou não uma resposta imunológica positiva. A WSAVA recomenda que seja realizado a partir de 6 meses de vida, ou 2 meses após a última dose na vacina múltipla, aumentando as chances de identificarmos falhas na primovacinação de forma precoce.

NÃO INDIVIDUALIZAR A VACINAÇÃO

Nem toda vacina deve ser aplicada em todo animal. Em teoria, todo cão deve ser vacinado contra cinomose, parvovirose e adenovirose, pelo menos uma vez na vida. Em países onde ainda existe a raiva canina, a vacina anti-rábica também deve ser realizada. São todas doenças com alta letalidade e distribuição global.

No entanto, qualquer outra vacina deve ser realizada considerando o contexto individual de exposição do paciente, proteção conferida pela vacina (geralmente baixa para bactérias e protozoários), assim como a gravidade da doença, em caso de infecção.

NÃO RESPEITAR O MOMENTO ADEQUADO

Somente cães saudáveis devem ser vacinados. O conceito de imunização vai além do ato de vacinar, demanda entendimento do momento imunológico do paciente. Animais em tratamento com anti-inflamatórios, antibióticos e convalescentes de internações e cirurgias não devem ser vacinados.

Pacientes com doenças crônicas, especialmente aquelas que dependem do bom funcionamento do sistema imunológico - como doenças auto-imunes, câncer e infecções incuráveis - devem ter a vacinação muito bem pensada. Os riscos podem ser maiores que os benefícios.

NÃO CONSIDERAR AS REAÇÕES ADVERSAS

Toda vacina tem potencial para causar reações adversas. Anafilaxia, dor, febre, convulsões, granulomas, tumores em locais de aplicação, doenças auto-imunes e reversão de virulência são apenas algumas delas, agrupadas sob o teto que chamamos de “vacinose”.

Além da escolha da vacina e do momento correto para sua aplicação, o que somente o veterinário pode fazer, são boas práticas:

  • Aferir a temperatura do paciente logo antes

  • Não fazer a anti-sepsia do local de aplicação com álcool

  • Anotar o local de aplicação e monitorar se ocorre algum aumento de volume no local

  • Aguardar 15’ após a vacinação dentro da clínica, antes de ir para casa.

NÃO DEIXE DE VACINAR

Ser contra a padronização da vacinação não é ser contra vacinas! Não deixe de vacinar seus animal por esquecimento ou desinformação. Muitas vidas são salvas com essa importante ferramenta. Na dúvida, leia o guia para tutores da WSAVA e o leve para o consultório, para discutir com o veterinário da sua confiança a melhora abordagem para o seu cão.


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