• Dr. Artur Vasconcelos

EVENTOS ADVERSOS PÓS-VACINAÇÃO



Vacinas estão entre as ferramentas médicas mais fantásticas, fundamentais para nossa proteção. De forma geral, são extremamente seguras e um caminho mais racional para adquirir imunidade. Mesmo que sua capacidade de conferi-la seja geralmente inferior à infecção natural.


Como todo produto biológico, seu uso pede cautela. Toda vacina tem potencial para causar danos significativos e irreversíveis. Reconhecê-los (e notificar sua ocorrência) refina seu uso ao longo do tempo.


Vacinação faz parte da minha rotina e a discussão sobre o tema, apresentando os benefícios e os riscos, é essencial para a saúde do paciente. Estabelece uma relação de confiança com o tutor.


Atualmente, assisto com imensa tristeza um verdadeiro “cala-bocas” quanto ao questionamento da segurança vacinal. Isso é péssimo, não apenas socialmente falando, nos polarizando ainda mais, mas considerando também a premissa básica científica, que é levantar perguntas, e não uma única e definitiva resposta.


FALHA NA IMUNIZAÇÃO


O objetivo principal da maioria das vacinas é proteger contra infecções específicas ou sinais graves de doença. A “qualidade” dessa proteção depende do patógeno, da vacina e também do indivíduo.


Quando realizada em momento inoportuno, em pacientes doentes, muito jovens ou sob determinados tratamentos, a imunização pode não acontecer. Também existem fatores genéticos que podem impedir a conversão de imunidade.


REVERSÃO DE VIRULÊNCIA


Com a melhora da qualidade dos produtos, e testes mais rigorosos, é um evento adverso cada vez mais incomum. No entanto, quando se usam vírus atenuados (que conferem imunidade mais robusta), pode acontecer ocasionalmente.


Era algo relativamente comum com a vacina contra o adenovírus do tipo I, levando à quadros de hepatite e uveíte em filhotes de cães. Isso foi contornado usando o adenovírus do tipo II, que imuniza de forma cruzada contra o do tipo I, mas é menos patogênico.


REAÇÕES TRANSITÓRIAS


São o tipo de evento adverso mais descrito. Reações agudas, de hipersensibilidade do tipo I, podem levar a anafilaxia, angioedema, febre e urticária. São facilmente reconhecidas e geralmente tratadas de forma sintomática.

Um outro tipo de hipersensibilidade, do tipo II, envolve a formação de imunocomplexos com IgM e IgG, e pode demorar alguns dias para manifestação. Artrite, neurite, anemia e trombocitopenia podem acontecer. O diagnóstico, correlação e tratamento são mais complexos.


REAÇÕES LOCAIS


Reações no local de aplicação também são muito comuns. São hipersensibilidades do tipo III (vasculopatia cutânea) e do tipo IV (granulomas - que podem evoluir para tumores). Nem sempre são reversíveis.


Esse tipo de evento adverso reforça a importância de aplicar vacinas em locais específicos, que facilitem o diagnóstico e correção do problema. Deve-se evitar, portanto, a região da cernelha e garupa do animal, priorizando membros e abdômen.


IMUNOSSUPRESSÃO


Como demandam uma resposta robusta do sistema imune, de forma similar à infecção natural, praticamente toda vacina é capaz de causar imunossupressão transitória no paciente.


É bem descrito que há uma redução da resposta linfocitária por, pelo menos, duas semanas. Por isso não é correto aplicar vacinas em intervalo inferior a esse período, assim como não recomendo usar mais de uma vacina simultaneamente.


GATILHO AUTOIMUNE


Cada vez mais comuns, doenças autoimunes acontecem quando o corpo passa a não reconhecer suas próprias células, atacando-as. Têm causas variadas e de difícil correlação com fatores de risco.


No entanto, é descrito que vacinas comerciais polivalentes são capazes de induzir a produção de autoanticorpos. Por isso, recomendo extrema cautela com o uso de vacinas em pacientes que já apresentam doenças crônicas autoimunes ou imunomediadas.


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