• Dr. Artur Vasconcelos

QUE TIPO DE VETERINÁRIO VOCÊ PROCURA?

Para cada animal e desafio, uma forma de pensar diferente



Recentemente, ao me anunciar para um evento digital, uma colega ficou em dúvida sobre como descrever o tipo de trabalho que faço com meus pacientes e clientes, que vai muito além da prescrição de dietas. Ainda me considero, antes de tudo, um generalista. Quando entrego bons resultados, não acho que exista a necessidade de rotular minha abordagem. E verdade seja dita, por muito tempo, não me identificava com os modelos de medicina ou definições de especialidade que tinha contato e buscava um caminho diferente.

Mas percebo a importância de me apresentar de forma mais clara aos clientes que ainda não me conhecem. Com alguma frequência, recebo pessoas que não sabem o que encontrarão antes de chegar ao meu consultório e conversar pessoalmente comigo. Isso cria expectativas que nem sempre consigo atender. Uma justificativa para isso acontecer é que ainda não há uma definição precisa na nomenclatura das diferentes formas de exercer medicina. Isso não só confunde os tutores, como abre espaço para discussões improdutivas e ofensas entre os próprios médicos veterinários.

Para facilitar esse entendimento, vou apresentar a terminologia comumente usada na medicina humana, que também poderia ser empregada na veterinária. Cabe a você decidir a abordagem e o tipo de profissional para ajudá-lo.


ALOPATIA CONVENCIONAL


Longe de ser o único tipo de de medicina, a alopatia é, sem dúvida alguma, a medicina mais praticada em países ocidentais. É o modelo padrão ensinado em todas as universidades de veterinária do Brasil. Quando pensamos que, nos últimos 50 anos, os avanços em vacinologia, no tratamento de infecções e traumas agudos e na prática de cuidados intensivos foram os maiores responsáveis por prolongar a expectativa de vida de humanos e animais, é inegável sua importância.

Quando baseada em evidências, permite uma alta replicabilidade pelo uso de protocolos. Garante que seu animal vai receber o melhor tratamento possível caso seja atropelado e frature um membro, por exemplo. No entanto, nota-se um crescimento exponencial de problemas crônicos e de causas multifatoriais, como câncer e problemas metabólicos não só nas pessoas, mas também nos animais. E a alopatia convencional se prova cada vez ineficiente em resolvê-los, e muito menos ainda em evitá-los. Seu foco se dá principalmente na doença e não na saúde.

MEDICINA FUNCIONAL

É uma abordagem que vê o paciente de forma menos segmentada. Pode ser incorporada ao pensamento alopático, mas não é exclusiva dele. Num primeiro momento considera o impacto do estilo de vida do paciente na sua saúde (dieta, movimento, ambiente e relações emocionais). Ou seja, reconsidera as escolhas do dia-a-dia, retirando a medicina do consultório e levando a responsabilidade para as mãos do tutor que, de fato, toma as decisões e convive com o animal. Essa mudança de foco é o que chamamos de medicina proativa, que busca evitar o problema antes que ele aconteça.

Ao mesmo tempo, a medicina funcional dá a devida atenção ao metabolismo celular, e como o seu mau funcionamento possui consequências por todo o organismo. Para isso, lança mão de exames pouco utilizados na medicina alopática convencional, como dosagens de hormônios e vitaminas, testes genéticos e de identificação de patógenos, sempre de forma racional. É o modelo de medicina que mais me atrai, sendo uma inteligente combinação de avanços tecnológicos com a simples observação de características e necessidades de cada espécie.

MEDICINA COMPLEMENTAR

É o nome dado ao conjunto de práticas alopáticas não convencionais, que não são comumente ensinadas nas universidades (nutracêutica, reabilitação, fitoterapia e medicina comportamental seriam exemplos), e de modelos médicos diferentes da alopatia (como a medicina tradicional chinesa, a naturopatia, o reiki, a ayurveda, a homeopatia, a medicina quântica e a medicina sistêmica).

Ao contrário do que muitos colegas que praticam exclusivamente a alopatia convencional acreditam, parte da medicina complementar sofre contínua validação sob os critérios científicos ocidentais, sendo considerada como medicina baseada em evidências. No entanto, pelo menor interesse financeiro e preconceito dentro dos centros de pesquisa, muitas dessas práticas ainda não sofreram julgamento sob esses critérios. Cabe salientar que alguns desses modelos de medicina (a exemplo da medicina tradicional chinesa) são milenares, muito mais antigos que a prática alopática e possuem documentos científicos em linguagem original ainda não traduzida, que possuem seu valor. Frequentemente, profissionais que praticam exclusivamente algum tipo de medicina complementar são considerados “alternativos” ou “holísticos”, termos que acredito devem ser evitados pelo caráter genérico, pouco explicativo e até mesmo pejorativo que são empregados.

MEDICINA INTEGRATIVA

Frequentemente confundida com a medicina funcional, a medicina integrativa nada mais é que a combinação do uso da alopatia convencional com práticas de medicina complementar, escolhendo o melhor momento para utilizar cada uma delas, no contexto de cada paciente. Em teoria, soma o “melhor” de cada modelo, oferecendo ao médico e paciente mais ferramentas para lidar com problemas mais complexos. De certa forma, médicos funcionais frequentemente recomendam o uso de medicina complementar, especialmente quando há insucesso do tratamento alopático, ou mesmo visando a redução dos efeitos adversos de medicamentos convencionais. Nesse ponto, estariam praticando sim uma medicina integrativa, mas os termos não são necessariamente sinônimos.

Talvez, mais importante que o tipo de medicina escolhido, seja encontrar um profissional que recebeu treinamento adequado no tipo que prática a que se propõe, exercendo sua profissão com integridade, pensando no paciente em primeiro plano, livre de vieses financeiros, e que respeite as decisões do tutor, que é o grande responsável pela saúde do animal.


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