• Dr. Artur Vasconcelos

RAÇÃO NÃO É OPÇÃO - 5 motivos

Atualizado: Jun 4

É comodismo.



Nunca fiquei muito confortável em demonizar o alimento comercial extrusado, ou ração, como forma de convencer pessoas a mudarem a forma de alimentar seus animais. Sempre acreditei que, mais importante do que o você deixa de fazer, é o que você realmente faz. A alimentação natural bioapropriada é sua própria propaganda. Comida de verdade não precisa de explicação. Mas verdade seja dita, pouca gente para para pensar o mal que pode estar fazendo limitando-se a oferecer ração para seus animais, continuamente.


As primeiras rações surgiram na segunda metade do século 19, mas só foram adotadas em massa no último terço do século seguinte. Costumo dizer que, em 50 anos, vivenciamos uma das maiores e mais bem sucedidas campanhas de marketing já concluídas: passamos a acreditar que a forma mais correta, ou mesmo única, de alimentar adequadamente nossos animais de companhia não era com os alimentos frescos que sempre comeram, mas com um alimento ultraprocessado, feito “sob medida” para eles.


Ainda bem que contamos com carnívoros resilientes e adaptáveis do nosso lado, porque o objetivo da ração nunca foi promover um nutrição ótima, mas sim mínima, ou possível, criando um destino aos restos de uma agropecuária industrial que se expandia. Essa mesma que também mudou totalmente a forma como nos alimentamos, e nos deixou doentes. Coincidência ou não, passamos todos, humanos e cães, a padecer dos mesmos problemas de saúde, que apresentam-se como o grande desafio para nossa existência e bem-estar.


Apresento então cinco motivos para você deixar a ração de lado e dar a devida importância à alimentação bioapropriada como pilar na saúde do seu cão:


1. É FEITA COM INGREDIENTES ULTRAPROCESSADOS,

NÃO NATURAIS À ESPÉCIE


Como dito anteriormente, as rações são compostas por resíduos de abatedouros industriais e, principalmente, pelas partes menos nobres de grãos cultivados em regime de monocultura. Ambos submetidos a temperaturas e pressão capazes de alterar a estrutura protéica desses alimentos e gerar compostos potencialmente tóxicos, como aminas heterocíclicas. Especialmente os grãos, nunca fizeram parte da dieta do lobo e da maior parte da história de 30 mil anos do cão como subespécie. Não me espanta o número cada vez maior de cães com alergias, hipersensibilidades e problemas gastrointestinais no consultório, visto que lidam com proteínas e fatores anti-nutricionais aos quais não eram expostos antes.


2. É RICA EM CARBOIDRATOS


Composta basicamente por milho, trigo, arroz ou outros grãos provedores de amido, as rações comerciais oferecem mais de 50% de suas calorias originadas de carboidratos. Como carnívoros, cães evoluíram comendo presas, e obtinham sua energia principalmente de proteínas e gorduras. Isso é o natural para a espécie. A alta carga glicêmica a qual são submetidos atualmente pode ser o denominador comum das doenças mais prevalentes na espécie hoje: cardiopatias, nefropatias, deramatopatias, câncer, obesidade e problemas endócrinos. Vale lembrar que não há requisito mínimo de carboidratos na dieta dos cães, nem mesmo fibras, é um nutriente não essencial.


3. NÃO POSSUI NÍVEIS ADEQUADOS DE NUTRIENTES


Ao contrário do que o marketing do “completo e balanceado’ leva as pessoas a acreditarem, estudos recentes tem mostrado que a maioria das rações não atendem aos requisitos mínimos ou máximos de nutrientes exigidos pelas instituições que os determinam, com o NRC, AAFCO e FEDIAF. Em outras palavras, prometem nos rótulos algo que não entregam. Geralmente os problemas que isso acarreta são silenciosos, e se desenvolvem ao longo de uma vida recebendo um alimento comercial como monodieta. Mas problemas agudos também podem acontecer. Recentemente, no final de 2019, mais de 300 cães tiveram complicações após a ingestão de uma ração enlatada da marca Science Dieta Hill’s, que continha valores absurdamente altos de vitamina D (mais de 20x a recomendação máxima!). Recalls de produtos e batalhas judiciais por motivos similares tem sido cada vez mais comuns por todo o mundo.


4. NÃO OFERECE A ABRASÃO DENTÁRIA NECESSÁRIA PARA UMA BOA SAÚDE ORAL


Durante toda a sua evolução, lobos e cães dependeram de sua capacidade mastigatória para conseguir sua nutrição. Os componentes rígidos de uma presa, como ossos, couro e cartilagens exigiam uma abrasão dentária que os mantinha com a saúde oral em dia. A doença periodontal, hoje a doença de maior prevalência nos cães, é inexistente em lobos e dingos em ambiente natural. Mesmo a ração seca não oferece nenhuma abrasão significativa para “limpar” os dentes de um cão, e o resultado é quase toda a população de cães hoje sofre de inflamação oral e suas consequência diretas: valvulopatias, gromerulonefrites, perda dentária, dor, e alterações de ordem imunológica.


5. ESTÁ POTENCIALMENTE CONTAMINADA


Ao contrário do que muita gente acredita, a ração seca não é um alimento livre de contaminação microbiológica. Bactérias, fungos e outros parasitos podem se desenvolver após o processamento, ou mesmo serem resistentes a ele. Mais importante ainda são contaminações por aflatoxinas (de origem fúngica), herbicidas (como o glifosato), p-BPA, entre outros, como metais pesados. Essas toxinas estão relacionadas a uma série de complicações, como disrupção endócrina e do microbioma intestinal, alguns tipos de câncer ou mesmo intoxicações fatais. Em 2007, uma contaminação por melamina de várias rações e petiscos que continham glúten de trigo chinês, causou complicações relacionadas a insuficiência renal em até 5 mil cães nos EUA, com óbito de vários deles.


Esses são apenas alguns aspectos, há outros, o mais importante é saber que existe outras opções, melhores e mais saudáveis para seu animal. Um outro caminho, que passa por voltar a sabedoria da própria ancestralidade da natureza animal, respeitando suas características para promover mais saúde, alegria e qualidade de vida, este é o caminho de uma alimentação natural bioapropriada.


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