• Dr. Artur Vasconcelos

VÔMITOS NA ALIMENTAÇÃO CASEIRA, Suas causas e como corrigi-las



A principal queixa digestiva no consultório não é a diarréia, mas o vômito.


Seja como gatilho para sair da ração e mudar para uma alimentação bioapropriada, ou como desafio na fase de transição, é um sinal que preocupa tutores e colegas.


É importante avaliar as características desse vômito e a sua gravidade. Nem sempre é motivo para procurar atendimento. Muitas vezes, pode ser encarado como uma defesa do organismo.


Especialmente quando pontual e não acompanhado de outros sinais (inapetência, prostração, febre, desidratação), se resolve sozinho, sem necessidade de intervenções. Tempo e paciência, na maioria das vezes, são os melhores “remédios”.


Mas algumas situações pedem por tratamento paliativo, ou mesmo uma investigação minuciosa. As causas podem ser muito diversas, e algumas delas colocam a vida do seu animal em risco.


Por esse motivo, é importante contar com uma clínica de urgência 24hs, e veterinários alinhados com seus valores, que respeitem a sua decisão pelo tipo de alimentação oferecida. Muitas vezes, a dieta em nada tem a ver com o quadro (como em infecções, problemas metabólicos, intoxicações e corpo estranho).


Um profissional cego para essas possibilidades, com viés contrário às dietas caseiras, pode atrasar o diagnóstico. Ou ainda pior, indicar o culpado errado, propondo intervenções danosas e, muitas vezes, onerosas.


Uma medicina proativa e participativa, com tutor e veterinário como protagonistas, é importante mesmo em situações urgenciais.



HIPOCLORIDRIA


É a insuficiência de secreção clorídrica no estômago, essencial para a digestão protéica e dos ossos. Os sinais principais são vômitos alimentares horas depois da refeição e os “infames” vômitos biliosos, que acontecem depois de jejum prolongado, geralmente associados à refluxo esofágico.


As causas são diversas. É esperado que todo cão alimentado com alimento rico em carboidrato (ração) por muito tempo tenha hipocloridria. Disbiose e uso prolongado de inibidores ácidos (omeprazol) também entram como culpados. A correção geralmente demanda suplementar com betaína HCL e evitar ossos no período de transição de dieta.


VELOCIDADE DE INGESTÃO


Nessa situação, vômitos alimentares acontecem imediatamente depois da ingestão, ou poucos minutos depois. Cães muito esfomeados e ansiosos tendem a ingerir o alimento muito rápido. Além de fazer aerofagia, que distende o estômago, geralmente ingerem fragmentos grandes de carne e ossos, que podem “irritar” a mucosa.


A solução vai depender do contexto do cão e tipo de dieta. Quando mais particulada, vale investir em comedouros lentos, cones ou mesmo espalhar o alimento no ambiente. Quando a refeição inclui ossos, ofereça peças realmente grandes (maiores que a cabeça do cachorro), que o obriguem a “trabalhar” bem antes de engolir.


TEMPERATURA DA COMIDA


A diferença entre a temperatura interna do animal e da comida pode ser um gatilho para os vômitos. Também acontecem imediatamente após da ingestão. E pode estar associada à velocidade de ingestão.


A correção é simples, tire o alimento já descongelado da geladeira e deixe-o em temperatura ambiente, sobre uma bancada de pedra ou metal, por 15-30 minutos antes de servir. Na pressa, vale fazer um banho-maria com água morna.


HIPERSENSIBILIDADE e INTOLERÂNCIA


Hipersensibilidade é uma reação alérgica ao alimento, e pode ser aguda ou tardia, ocasionando, respectivamente, vômitos agudos ou inflamação estomacal e duodenal com vômitos crônicos.


Não é tão comum como a intolerância alimentar, que acontece independentemente do sistema imunológico, e pode ser transitória e/ou relacionada à oferta muito precoce ou em quantidade excessiva de alimentos mais ricos, como vísceras, ovos e peixes.


Suspeitando-se de um dos dois problemas, o diagnóstico é feito com uma dieta de eliminação (por 6-12 semanas) seguida de uma fase provocativa, quando se testam os alimentos suspeitos. Animais com outras co-morbidades intestinais (disbiose, por exemplo) precisam de tratamento específico para tolerarem alguns alimentos.


COMIDA ESTRAGADA ou CONTAMINADA


Uma das principais culpadas dos vômitos, sejam em dietas cruas, cozidas ou processadas, é a contaminação por bactérias, toxinas bacterianas termoresistentes e substâncias químicas. Muitas vezes, a comida pode parecer absolutamente fresca e estar estragada. A sensibilidade de cada animal à carga de contaminação é muito variável.


A correção envolve critério na escolha do local de compra da comida, transporte, manipulação e congelamento cuidadoso e inspeção sensorial antes de servir o alimento. Lavar bem os utensílios e vasilhames utilizados para guardar e servir o alimento é outro passo que muita gente negligencia na correria do dia-a-dia.



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